AntiCristo
Por Ed S.T.
O que pensar de um filme com esse titulo dirigido e escrito por um ateu? “Aquele que vem para propagar uma religião falsa e contrária a de Cristo”. Bom, se você ao ler o nome do filme for logo associando a está frase de forma direta, mude seu preconceito já. O filme lançado em meados de 2009 trás uma rica produção do que se diz respeito a fotografia, fazendo até com que uma cena chocante e triste (cena inicial) se tornar algo belo artisticamente, mas ainda assim triste e pesado.
O fluxo do pensamento decorre de forma diferente baseado no que o telespectador está acostumado a assistir, podendo então este estar preparado ou não para uma obra tão simbólica e mais contada por trás das imagens do que de forma direta. O filme chama muito a atenção de cara pelo forte impacto causado por suas cenas (cenas de sexo, automutilação e agressões). Porém o filme, acreditem ou não, não fala disso, não se trata apenas disso, trata do crescimento do homem como pessoa e sua evolução ao longo da vida.
Lars Von Trier criou uma obra paradoxal ao deixar em um limiar tão próximo o repudio pelo que é visto e o real sentido do que se é mostrado. Ele tenta fazer pensar sobre o próprio pensar, juntando uma espécie de documentário filosófico longo, substituindo diálogos ditos desnecessários e implantando cenas fortes, além de trocar por símbolos o que normalmente é “jogado” com facilidade para quem assiste.
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| O longa é repleto de cenas impactantes, alguém com um ar de beleza, enquanto que outras são de forçar os nossos sentimentos e escrúpulos. Logo para abrir o filme vemos uma cena de sexo explicito, onde os órgãos sexuais ficam bem visíveis em zoom, mas a cena é embalada por imagens em preto e branco, junto com uma música de fundo que tenta mostrar o lado belo daquilo (a missão é 90% cumprida). Logo na sequência temos uma tragédia anunciada, a morte do filho do casal, que pula da janela enquanto eles fazem sexo. A morte negligenciada pelo fato da mãe ter visto seu filho fora do berço é de significado muito maior ao que aparenta, pois traz a desilusão amorosa da criança, já que como Freud descreve, a mãe é o primeiro amor de um homem. |
A simbologia do filme é inacabável, dividido em cinco partes, como uma peça. pois desde seu inicio vemos aspectos dela, que de começo parecem inocentes, mas no desenrolar da trama se mostram importantes. Passamos em seu decorrer por cinco estados, que são: O prologo, capitulo dois com "Dor (O Caos Reina)", capitulo 3 " Desespero (Femicídio)", capitulo 4 "Os três mendigos e por fim um epilogo.
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| Dois exemplo claro são os três animais na capa do livro infantil que cai enquanto o casal faz sexo e as três estatuetas no quarto do bebê, ambos fazendo alusão aos “três mendigos”, mais a frente apresentados como “Dor, desespero e sofrimento”, que retratam bem a forma de apresentação do filme. |
Mas afinal, o que esperar deste filme de Lars? Primeiramente se deve assistir ele com mente aberta e olhos preparados para tudo. Deve-se entender o filme e não apenas assisti-lo, pois ele é muito mais denso do que aparenta ser. Nele são sim apresentados dogmas religiosos, mas sua função vai além disso, ao retratar de forma nua como o ser humano cresce ao longo de sua existência. Se você gosta de metáforas, enigmas e mais fatos pouco compreensíveis, é um prato cheio esta obra, porém, se você está muito ligado a religião (quase que cegamente) ou não estiver de mente aberta, de certeza achará apenas um filme ruim. Apesar de que o filme possui sim seus erros, seus buracos de enredo e seus problemas. Talvez como filme seja uma ótima forma de reflexão, mas ainda assim, perdida em seus defeitos.
A nota negativa é o fato ainda insistente do diretor em impactar a todo momento, mesmo quando algo mais simples daria conta do recado e um último spoiler:
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| A verdade a ser compreendida é que o bebê é apenas a versão inocente do homem, que “morre” ao descobrir o prazer da carne, mas que só se torna adulta realmente e pode conviver com os demais seres da natureza e de sua própria espécie (a mulher) quando aprende o significado da dor, do sofrimento e do desespero. Quando se desapegar apenas de seus prazeres (a masturbação do homem até ejacular sangue) e também sabe diferenciar o que sua mente cria e o que ele vive (quando o personagem de Dafoe percebe que não existem os três mendigos no céu). |

E antes da nota devo avisar: O filme é MUITO pesado, tem cenas de sexo fortes, mostra uma versão masculinizada da mulher e usa muito da exposição do comum de forma brutal. Nota 6,2.
Sinopse: Casal (Willem Dafoe e Charlotte Gainsbourg) devastado com morte do único filho muda-se para uma casa no meio da floresta para superar o episódio. Mas os questionamentos do marido, psicanalista, sobre a dor do luto e o desespero de sua esposa desencadeiam uma espiral de acontecimentos misteriosos e assustadores. E as consequências dessa investigação psicológica são as piores possíveis.