SHERLOCK

05/10/2014 18:18

Por Lucas Ildefonso

    Boa parte das pessoas possuem como referência máxima da literatura policial o personagem Sherlock Holmes, o mais famoso detetive (consultor) da literatura e do cinema. Criado por Sir Arthur Conan Doyle ainda na Era Vitoriana vem impressionando gerações de fãs desde que o primeiro romance foi publicado. Não é difícil, assim, imaginar que já foram produzidas diversas adaptações para o teatro, o cinema e a TV, que buscaram atingir o sucesso alcançado pelos livros, porém, poucos conseguiram atingir a qualidade merecida à obra.

 

    A BBC lançou em 2010 sua própria adaptação vinda das mãos de Steven Moffat (Doctor Who) e Mark Gatiss, no qual o projeto apresenta uma visão contemporânea das histórias escritas por Conan Doyle, intitulada simplesmente de "Sherlock". A série conquistou o respeito dos fãs do detetive (o que não é simples ou tão pouco fácil) trazendo uma adaptação que não apenas faz jus ao que os livros de Conan Doyle representam, mas também traz um ar novo, sendo muito bem recebida pela crítica, e muitos prêmios, inclusive vencendo várias categorias do Emmy. Diferentemente de muitas séries anteriores que buscaram um retrato fiel dos livros, Sherlock vai além disso.

 

    A adaptação mescla a base dos escritos originais com novos elementos. Cada aventura é reescrita, cada mistério e dedução remontado. Além das mudanças óbvias em relação ao desenvolvimento tecnológico, e roupas da própria Londres, vemos também a inclusão de detalhes mais substanciais, gerando mudanças acentuadas que apesar de serem arriscadas não descaracterizam seus personagens ou argúcia típicos. As referências ao cânone Sherlockiano estão na série o tempo todo. A originalidade do roteiro, entretanto, surpreende por sua lucidez, fidelidade e astúcia ao trazer e recriar os elementos das histórias de Conan Doyle, sem perde-se ou focar em aspectos desnecessários.

            Benedict Cumberbatch e Martin Freeman (Da esquerda para a direita)

                Benedict Cumberbatch e Martin Freeman (Da esquerda para a direita)

 

    Com um elenco de qualidade, com o devido destaque para Benedict Cumberbatch como Sherlock Holmes e Martin Freeman como Doctor John Watson, ambos atores bastante talentosos que souberam dar a dosagem certa de espontaneidade e singularidade a seus personagens e, assim como manda o projeto, deu-lhe novos ares, ampliando-os. Deixando os protagonistas de lado, e para ser justo, vale observar que boa parte do elenco tem seus méritos, especialmente Andrew Scott (foto abaixo) que interpretou um professor Moriarty excepcional, irônico e um tanto cômico.

 

Cada temporada possui três episódios, o que é um número abaixo do que é comumente visto, mas,vale assinalar que cada episódio tem 90 minutos de duração, uma estrutura nada usual, mas que funciona muito bem. Até o momento três temporadas foram lançadas. Talvez o único problema da série seja a demora para produção de cada temporada devido a agenda cheia de Cumberbatch, Freeman, Moffat e Gatiss. Por serem extremamente envolventes, os episódios fluem tão bem, que as temporadas se esgotam com rapidez, o que é suficiente para despertar a ansiedade dos fãs ao final em contra ponto com a angústia de não saber quando a nova temporada estará pronta.


           

                   Steve Moffat e Mark Gatiss (Da esquerda para a direita)

 

    Como efeito, Sherlock alcançou não só o status de uma das melhores adaptações das tão bem conhecidas aventuras de Sherlock Holmes, mas também é uma das melhores séries já produzidas. Com o seu estilo próprio de juntar o drama, suspense e ação policial contando com uma ótima trilha sonora, Sherlock é a indicação máxima para quem espera ver uma grande obra. Nota 10.

 

Confiram o trailer da primeira temporada!

 

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